quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Alegria natalina

Alegria natalina

Véspera de natal, toda família reunida, todos felizes e eu ali em prantos. Era o meu segundo natal em BH, agora mais diferente, pois seria para sempre. Sentia-me cada vez mais triste, magoada, sentia muitas saudades da minha tia que amo tanto, dos meus amigos e da minha família. Meu coração sangrava, e a dor da despedida doía muito, a tristeza aumentava cada vez mais e mais.
Estavam todos conversando, brincando e dançando, e no cantinho da sala uma menina que tinha um sorriso lindo, que em tempos atrás encantava a todos, agora ficara tristonha. Cessou o sorriso. Agora aquela menina havia crescido, ficou séria, já não gostava mais de bonecas. A mudança em sua vida deixara marcas profundas em seu coração. Amigos e parentes já não a reconheciam, pois havia mudado muito.
Saiu, sentou-se na calçada e começou a lembrar dos natais que passara perto da tia. Começou a chorar, desesperada procurando algo que ocupasse a tristeza que havia dentro de si. Olhava para o céu pedindo consolo, paz e ânimo.
Natal, data tão importante, em que todos gostam de todos. Pensando que teria um natal mais uma vez maravilhoso se enganou, e percebeu que nada adiantava passar o natal sem as pessoas que ela tanto gostava.
Agora me sinto bem melhor. Perto das pessoas que amo e onde me sinto feliz.
E’ impossível sermos felizes longe de quem amamos. Compreender isso dói mas e’ importante, pois assim, passamos a reconhecer e valorizar o que há de mais importante para nossas vidas.

Milena Ribeiro dos S. Dias
8° Ano 05 Matutino

VELHA INFANCIA





É incrível como ser criança é fácil. Nada parece confrontá-las. Brincam, dormem, pulam, choram, perdoam, amam. São tão inocentes e puras que às vezes nos perguntamos se fomos capazes de sê-las um dia. O tempo é um bicho faminto, um louco sem hora, é um deus apressado e confuso. Magnífico e poderoso tempo que nos rói a alma, nos torna velhos infames e pouco críticos. Os famosos e respeitáveis adultos.

Perguntei a uma querida professora, como tinha sido sua infância. Enviei-lhe um papel com as perguntas, que no dia seguinte veio preenchido ate as bordas. Desdobrei-o e comecei a ler. Em seguida, foi isso que saiu dos meus dedos:

“Há 39 anos, nasce uma menina em Teófilo Otoni. Nada de novo afinal, muita gente nasce todo dia, a toda hora, todo segundo, a todo vapor.

A menina foi morar numa chácara calma e pacata. A chácara em que passou parte de sua infância com seus oito irmãos brincando, pulando, sorrindo, perguntando, sonhando... Sendo criança.

Não havia o luxo da energia elétrica, nem água encanada, tão pouco TV. A menina descobria o mundo docilmente, de pouco a pouco, como de ser. Muito diferente desses tempos em que vivemos, tempos sujos que as crianças já vêm ao mundo sabendo, não há descobertas.

Uma de suas lembranças mais remotas, da velha e doce chácara, é de sua irmã passando roupa com um ferro cheio de brasas que se recusavam a acender, enquanto o feijão chiava na panela cansada e batida, surrada pelo tempo.

Além dessa, muitas outras lembranças vieram em um turbilhão que desabaram em lagrimas amargas quando um carro de mudança encostava. Tudo foi tão rápido que ela nem pode dizer adeus. Nunca mais viu a chácara que iluminara sua infância.

De repente, a menina se viu em uma realidade totalmente diferente: o ‘Bi! Bi!’ dos carros, o dançar de pés ora bem calçados, ora apressados nas ruas asfaltadas; o conjunto que forma a cidade grande. Foi morar numa casa onde tinha lâmpada que acendia! Nossa! Água quente saindo do chuveiro? Hilariante. Por um momento nem sentiu saudades da vida mansa do interior. Queria morar ali para sempre.

Entrou para a escola. A magia do conhecimento a envolveu fantasticamente. Não queria sair dali até que... Bum! O que era aquilo? Todo mundo de repente congelou na sala. A professora os mandava ficar calados e quietos. Homens armados até os dentes vistoriavam toda a classe. Sentiu pânico, um horror que lhe fez tremer até a espinha. Queria urgentemente voltar para sua chácara, para seu aconchego. Deu graças a Deus quando a ditadura acabou.

A menina e os irmãos amavam a forma como sua mãe criava-os sem fazer distinção. A tarde, o pai sempre lhes trazia quadrinhos que liam deleitosamente, enquanto um conto de fadas ou uma musica saia do toca-discos. A menina sentia emergir de dentro dela uma professora brilhante.

Os anos foram se passando, a menina foi crescendo. Morreu a criança e nasceu o adulto. Um dia talvez, ela retorne em sua primeira morada e, debaixo das carinhosas e aconchegantes sombras das arvores ela ensinará as suas filhas, velhas e inocentes brincadeiras de seu tempo. Enquanto o tempo modela tudo e todos de repente.

‘Essa menina é a nossa magnífica professora de historia Edlene.’”

Enquanto eu lia o que havia escrito, meus olhos não se limitavam em derramar lagrimas. Eles viam num tempo distante, uma linda menininha brincando de ser criança.

Lorena R. Lima 8° Ano 05 Matutino


P.S.

No último bimestre de 2011, embarcamos no projeto "Se eu me lembro bem", nossos alunos foram impulsionados a produzirem textos memorialísticos, dentro desse projeto surgiu o tema: TEMPO DE ESCOLA, poderia entrevistar qualquer pessoa. As perguntas e respostas se tornaram enredos belíssimos, veja um exemplo deles. Se curtiu, comente! Incentive nossos alunos! Abraços

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Producoes de meus alunos 2011





Uma escritora que nascia

Em 2011 tivemos a grata alegria de conhecer uma pessoa que ficará marcada na nossa história de educadores: Lorena.
Menina simples e doce adentrou em nossas vidas sem pedir licença, apenas apossou-se de nossos corações.
De onde ela veio? Dos Brasis. Nascera em Belém (PA), viveu em lugares grandiosos como São Paulo, e Brasília. Mas foi em Minas Gerais que o despertar de uma grande escritora teve inicio.
Com uma mente privilegiada onde se agregam lembranças de tantos lugares, tantos fatos e tantas marcas... que só através do fio de Ariadne, que é a PALAVRA, conseguirá sobreviver.
Uma adolescente como outra qualquer, Lorena se despertou para o mundo maravilhoso da literatura através de um livro magnífico: O pequeno Príncipe de Saint Exupéry. Sensível, a aspirante escritora, se deleitou com a lealdade do pequeno príncipe para com a sua rosa, ao compreender quem em meio a milhares, ela será sempre única para o principezinho. Assim são os amigos que Lorena guarda em seu coração, são colegas de sala de aula que ela os levará para sempre.
Dona de uma simplicidades, privilegiando sempre o essencial para sua vida, escolhe o açaí sua fruta preferida, pois lembra a inesquecível terra onde nascera.
Ao contrário do que se vê nos tempos hodiernos, em que jovens adolescentes se extasiam em frente de um computador, ela se alegra ao abraçar um livro.
Raras as vezes que a vemos sorrir, em entrevista, ela revela uma dor que lhe persegue, não poder ter sorrido na infância. Talvez seja a causa dela apostar da cor cinza. É uma escritora nata, sua narrativa uma mescla de Drummond, Machado de Assis e Manuel Bandeira.
Quanto aos versos, ela tem motivo para ser assim, tão calada, tão tímida, tão séria... lembram-se dos versos de Cecília? “Não sou alegre nem sou triste/sou poeta”.
Ao encerrar a entrevista, não pude disfarçar minha emoção de ter em minha frente aquela garotinha. Eu que teoricamente, todos os dias falo sobre “tantos poetas e prosadores”, tinha ali na varanda de minha casa Lorena Reis, uma escritora que nascia.

Tempo de Escola

VOLTA `AS AULAS


Eu sou do tempo que se ingressava `a escola aos 07 anos de idade. Não poderia ser promovido para o ginásio o aluno que não soubesse na ponta da língua a tabuada de 1 a 10 nem tão pouco ler e escrever.
Eu sou do tempo em que diretores eram tão respeitados que nos púnhamos de pé quando eles entravam na sala.
Eu sou do tempo que professores eram tão admirados que sonhávamos nos tornar um deles e acreditávamos que a educação era uma alavanca indispensável na transformação de uma sociedade.
Eu sou do tempo que os cadernos já vinham escritos, era só colocarmos abaixo do nariz que as páginas povoavam-se de histórias que ainda estavam por vir.
Eu sou do tempo que os dias que antecediam a volta `as aulas se faziam com contagem regressiva. Nossos corações se enchiam de alegria. Motivo: alegria em rever os colegas , curiosidade em saber quem seria os professores daquele ano e ainda, reconhecimento e demarcação de carteira.
Eu sou do tempo que estudar era alegria, era prazer. Espero que nossos alunos tenham alegria em aprender, pois esse foi o tempo mais poético da minha vida.

Espectro

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Flashes

Flashes


Para muitos, a vida desde tenra idade já se apresenta mais rude e sisuda, mesmo assim, a imagem de adolescente sonhador não fora perdida pela apresentação dessa faceta da vida.
Menino, que quando criança era sempre visto nas ruas na companhia da mãe, hoje prefere afasta-se dela para ter mais liberdade, o que é tão comum nesta fase chamada adolescência.
Nessas férias o levamos `a praia. Foram belíssimas as cenas que flagramos. Bem cedo ele já procurava o calor do sol que aquecia as areias na mesma proporção que seu coração era também aquecido. As ondas do mar era uma sinfonia aos ouvidos cansados de maldição que a sociedade sempre o lançara. Agora, sentia a doçura dos braços inefáveis da água. Apaixonara-se. E todos os dias que ali estivemos, vimos o contentamento de um menino que mais se assemelhava a uma criança extasiada de alegria de ter nas mãos um sonhado brinquedo.
As pipas trouxeram-me a imagem de Hassan, assim como questionamentos sobre justiça , amizade, lealdade e amor. Vê-lo com aquele brinquedo fez-me perceber o quão as coisas simples podem se apresentar tão especiais. A habilidade com que conduzia a pipa o fez herói por um momento. Sentiu-se forte e poderoso. Sentiu-se importante. Sentiu-se feliz. Eu, mais ainda. Quando retornávamos, fui tomada de um sentimento bom. As imagens daqueles dias veem em minha mente como flashes de um filme inacabado.